NESSE BAR VENDEM CAIPIRINHAS: UMA ANÁLISE DO SINTAGMA PREPOSICIONADO LOCATIVO NÃO-ARGUMENTAL EM POSIÇÃO PRÉ-VERBAL
Resumo
Embora seja objeto de análise de importantes linguistas, as construções alojadas na periferia esquerda da sentença constantemente suscitam questionamentos. Pontes (1987) evidenciou, a partir de seus estudos, a recorrência de sintagma locativo em posição pré-verbal no Português Brasileiro, de forma que o PPloc não necessariamente mantém relação de concordância com o predicador verbal, como em [Na faculdade] PPloc estudam a relação científica entre o homem e a natureza. O objetivo neste squib é fazer a defesa de que esses constituintes por estarem alocados em uma localidade prototípica para abrigar o sujeito gramatical, mas por não checarem Caso nominativo, não podem ser considerados sujeitos gramaticais, mas sim “sujeitos da predicação” (Cardinaletti, 2004; Rizzi; Shlonsky, 2006), condição que é satisfeita quando esses constituintes são albergados em Spec, SubjP. Utilizando os pressupostos da Cartografia Sintática, a qual prevê que as sentenças das línguas naturais constituem estruturas demasiadamente mais articuladas, aventamos que assumir uma única posição para o sujeito é altamente simplório. Indo de encontro à Avelar e Cyrino (2015), expomos as razões pelas quais os locativos preposicionados não podem ocupar a posição de sujeito gramatical, contrariando os testes utilizados pelos supracitados autores. Em relação à metodologia, utilizamos os dados presentes em trabalhos anteriores, sobretudo os da língua italiana, que revelam as propriedades morfossintáticas importantes para a análise do trabalho.